quarta-feira, dezembro 02, 2015

Review: Vincent, a Graphic Novel de Vincent Van Gogh


Olá pessoas ! Aqui é a Jac, como estão ?

Esses dias comprei na livraria Cultura uma Graphic Novel que me chamou atenção: Vincent, que conta a história do famoso pintor Vicent Van Gogh.

Eu sou apaixonada por arte, mas infelizmente não conheço profundamente os artistas que admiro. E decidi que vou pesquisar mais sobre eles, e Gogh é um deles. Essa Graphic veio a calhar kkkk

Vincent foi um homem sensível e muito complexo. Doente, mas doente por ser demais, por sentir demais. Já pararam para prestar atenção que as pessoas mais sensíveis e criativas sempre tem alguma espécie de transtorno, ou então não conseguem se encaixar em convenções da sociedade, como trabalhar, estudar (vide Into the Wild) ?

Enfim, vamos ao que eu achei dessa leitura maravilhosa.

A arte foi feita por Barbara Stok. Eu não a conhecia, mas gostei demais do trabalho dela. O desenho é simples, como podem ver, mas Stok sabe como captar a alma daquilo que está representando.

Vincent era atormentado por seus problemas de saúde, como transtornos mentais que causavam até mesmo alucinações, e devido a eles, não trabalhava, apenas pintava. Quem o sustentava era seu irmão, e fiquei completamente encantada com ele. Cuidava de Vicent e o incentivava a continuar com sua arte, mesmo que não vendesse. Era um homem com um caráter admirável, sensível e humilde. Já Gogh estava sempre pensando em como retribuir o irmão, quantos quadros deveria pintar e vender para conseguir pagar de volta os gastos de seu irmão, que não fazia questão disso. Gogh tinha muita gratidão, o que o torna ainda mais admirável.

A Graphic começa com a viagem de Vincent para Provence, onde iria para se recuperar, e se inspirar para pintar. Provence era um lugar maravilhoso, e em uma de suas cartas para seu irmão, escreveu que queria pintar muitos "pomares em flor".

Quando calmo, mostrava ser um homem simples, humilde. Infelizmente, seus transtornos se mostravam em ataques de ansiedade, raiva e obsessão, como verão ao ler a obra. Não era um homem fácil de se conviver: alimentava expectativas e quando as mesmas não saíam como queria, reagia de forma exagerada. Vicent aprendeu, de forma dolorosa, que nem sempre as pessoas, mesmo que façam o mesmo que nós, tem a mesma paixão, a mesma sensibilidade, como os pintores com quem conviveu. Isso é triste, e tristeza foi o que senti ao ver a forma como Gogh era apaixonado pela pintura, pela arte, pela vida; pelas coisas pequenas. Se esforçou com a empolgação e o brilho no olhar como os de uma criança, e a alma de Vincent ainda abrigava muita inocência, como a de esperar dos outros, o que você faria. Por conta de sua paixão muitas vezes chegar a obsessão, era possível lidar com ele, porém difícil. Muitos não sabiam, e desistiam. Isso me faz refletir na superficialidade dos relacionamentos hoje em dia. Muitas pessoas sofrem com transtornos, e por mais que se cuidem - assim como Vincent, que sofria e ansiava melhorar dessas crises - não existe uma cura definitiva. Crises podem aparecer, e muitos não se esforçam em aprender a lidar com essa realidade. Muitos desistem, se afastam. É algo doloroso, um terreno difícil de pisar, mas necessário. Temos de refletir sobre nossas relações, nossos defeitos, nossos monstros. Por mais que nos esforcemos, somos imperfeitos. Podemos errar, ter uma crise. Mas vivemos num mundo em que temos que fingir estar bem o tempo todo. E temos de ser sinceros: eu seria capaz de viver com alguém como Vicent ? Seria capaz de ajudá-lo ? Não é fácil. 

Com sua arte, Stok representa nos desenhos as crises de Vicent, dando mais vida e transmitindo a aflição do pintor de forma que só a arte pode fazer.


Além dessa representação, Stok traz algo incrível: as cartas que Gogh escrevia para seu irmão, que foram minhas partes preferidas. Mostravam a sensibilidade de sua alma. E também as respostas de seu irmão, que como disse no início, era um homem de ouro.

Nas cartas, Vincent falava sobre seus planos, suas inspirações, suas pinturas, e suas reflexões sobre a vida. E também desabafava ao irmão seus sentimentos sobre ser um fardo, sobre não conseguir vender sua arte. Coisa que seu irmão não admitia, deixando claro que não queria que Vincent se preocupasse.

"Minha ideia é fundar uma casa de artistas que não dure apenas pelas nossas vidas, mas que possa ser mantida pelas próximas gerações. Quando o que você faz dá esperanças para a humanidade, então sua vida tem razão de ser."

Gogh tinha o sonho de fazer algo pela sua arte e pela arte de todos, algo que transpassasse gerações. Pensava grande, mas infelizmente não chegou a ver a repercussão de seu quadros. Quando morreu, tinha apenas um quadro vendido, e reconhecimento após uma crítica positiva. Estava ficando famoso, mas aos olhos de Vincent, a fama não era boa.

"Não, não estou orgulhoso. Já ouviu falar dos vaga-lumes do Brasil ? Eles têm uma luz tão forte que as mulheres os prendem com grampos nos cabelos á noite. Para um artista, a fama é a mesma coisa que os grampos para os vaga-lumes".

Essa citação me deixou pensativa por dias. Para quem faz arte com um propósito, a fama realmente é negativa. A fama envolve comércio, produção em massa, pessoas comprando sua arte apenas por uma moda, e não por transmitirem algo (*cof cof Romero Britto *cof cof*). Não param para interpretar, e muitas vezes você deixa de lado a sua expressão, a SUA arte, para fazer algo comercial. que agrade as massas. Reconhecimento e fama são coisas completamente diferentes, e agora vejo isso de forma clara. E isso confirma o quanto Vincent era simples: como qualquer ser humano, queria ter dinheiro para viver e ter suas coisas. Mas acima disso, queria levar algo de significativo para o mundo. Mas infelizmente a sociedade como um todo não procura algo com personalidade, com alma. Vemos isso com a música, com a arte em geral. Fazer algo "popular", simplesmente por ser divertido ou bonito, não é nenhum crime. Todos gostamos de algo que é fútil. O problema, é quando alguém deixa de ser o que é, deixa de criar o que vem de dentro, deixa de transmitir uma mensagem porque a maioria prefere consumir apenas o que é fútil.

Resumindo, Vicent é uma leitura maravilhosa. Conhecer o universo deste pintor foi uma ótima experiência para mim, e traz muitas reflexões ao ver o mundo sob a visão dele. Ver seu processo criativo, sua frustração ao pintar um quadro ruim, sua dor depois de uma crise. Sua humanidade e imperfeição. Recomendo a todos que amam a arte ! ^^

É isso aí pessoal, até mais ! Se você leu essa Graphic, comente o que achou !


Postado por Jacqueline Sousa.

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